O uso do LÍTIO no transtorno afetivo bipolar

Laboratório de Análises Clínicas Oscar Pereira

O uso do LÍTIO no transtorno afetivo bipolar

Março 28, 2018 Exames 0

O QUE É O LÍTIO?

O Lítio é um elemento mineral que ocorre na natureza.
O lítio é um elemento químico, de símbolo Li, que pertence ao grupo IA da Tabela periódica, no qual se
incluem os metais alcalinos. É um metal leve, de brilho prateado, encontrado principalmente em rochas magmáticas da crosta terrestre numa proporção de 0,002%.

Mecanismos de Ação
Apesar de vasta experiência clínica, só recentemente seu mecanismo de ação começou a ser melhor
estudado e entendido. O sistema monoaminérgico, particularmente o serotonérgico, tem sido implicado
de modo consistente em sua ação (El-Mallakh et al, 1996; Manji e Lenox, 1999). Segundo a literatura, a
ação principal de drogas utilizadas na estabilização de humor ocorre basicamente a nível intracelular, sobre as vias de transdução de sinal.

Avaliação laboratorial
Sempre que se prescreve lítio deve se ter em mente que seu uso será prolongado, provavelmente para a
vida toda, caso ocorra uma boa adaptação e controle eficaz dos sintomas de humor. Portanto, uma avaliação clínico-laboratorial deve ser realizada de preferência antes de seu início ou tão logo seja possível. Todas as funções orgânicas foco de potencial efeito colateral do uso de lítio devem ser checadas inicialmente e monitoradas ao longo do tratamento. A frequência dos exames complementares é variável dependendo de eventuais alterações que exijam avaliações em tempo mais curto. De modo geral, na ausência da necessidade de cuidados mais rigorosos, a realização de exames a cada três ou seis meses é suficiente para um controle adequado.
Devem ser avaliados a função renal, meio de excreção do lítio, a função tireoideana, cuja alteração
pode estar associada ao uso de lítio, glicemia de jejum, hemograma completo, eletrólitos e eletrocardiograma em portadores de cardiopatia e em indivíduos acima de 40 anos. Também é importante solicitar β-HCG para mulheres em idade fértil sem uso de método contraceptivo.

Uso do Lítio no Tratamento do Transtorno Afetivo Bipolar
O carbonato ou o citrato de lítio completou cinco décadas de uso na psiquiatria e se tornou ao longo
desses anos a medicação mais eficaz no tratamento do TAB. Os primeiros estudos duplo-cego com lítio
mostrando resultados positivos no controle da mania aguda datam de 1954 com Schou et al, e de 1969 com Goodwin et al em 1971, o lítio foi aprovado pelo FDA para o uso terapêutico em fases de mania e, em 1974, para o uso profilático. Desde então, inúmeras publicações têm comprovado a sua importância seja em fases agudas de mania e depressão, seja em sua profilaxia.
Na fase de mania sua eficácia pode chegar a 70-80% com uma latência de resposta de aproximadamente duas a quatro semanas (Soares et al, 2002). Estudos comparando o lítio com a carbamazepina e com o valproato nesta fase mostraram resultados superiores para o lítio, especialmente quando sintomas de mania “clássica” estão presentes, com humor eufórico e grandiosidade (Ownby e Goodnick, 1998). Ademais, estudo envolvendo vários medicamentos de uso possível para o tratamento do TAB evidenciou o lítio como aquele que apresentava melhor custo-benefício (Soares-Weiser et al 2007).

Ajuste de dose
A dose de lítio necessária para manter um nível sérico terapêutico (0,5 a 1,2mEq/L) depende da idade,
peso, medicações em uso e condições clinicas associadas.
O manejo de efeitos colaterais pode requerer o ajuste de dose em limites inferiores do nível terapêutico
preconizado.

O lítio é um sal que vem sendo utilizado no tratamento do TAB, há cerca de cinco décadas, sendo que
o conjunto de evidências advindas de investigações clínicas confirma o lítio como terapêutica fundamental de tal transtorno mental. O lítio apresenta também efeito neuroprotetor, diminuindo o potencial de morte neuronal e aumentando a capacidade de conexões neuronais em várias áreas cerebrais.
É de fundamental importância que o lítio esteja disponível para o tratamento de pessoas portadoras
de TAB, bem como os exames laboratoriais necessários para a litioterapia, como a litemia. Tanto o lítio, como os exames que acompanham o seu uso na prática clínica implicam custos baixos ao extremo, principalmente quando se compara com os custos economizados com a redução das internações hospitalares, ou mesmo com seus custos indiretos, diminuindo o absenteísmo no trabalho. Assim, o presente texto apresenta orientações básicas para a utilização do lítio no tratamento do TAB,
o que pode contribuir para uma melhora na qualidade de vida dos pacientes, poupando muitas vidas que
seriam perdidas com o suicídio.

FONTE: http://www.fcmsantacasasp.edu.br/images/Arquivos_medicos/2010/55_1/08_AR3.pdf

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